Desta investigação, que decorreu durante mais de um ano, foi possível apreender mais de 96 quilos de meixão, que corresponde a cerca de 380.000 espécimes, com um valor estimado, no mercado final (países Europeus e Asiáticos), de 720 000 euros. Durante a operação foram realizadas 34 buscas, sendo nove domiciliárias e 25 não domiciliárias, tendo sido apreendido o seguinte material:
Ainda foram apreendidos diversos artefactos utilizados para a apanha ilegal do meixão, assim como para o acondicionamento, conservação e transporte internacional de meixão vivo.
A enguia europeia é uma espécie animal designada por “Anguilla Anguilla” vulgarmente conhecida por “Meixão” (enguia bebé), classificada como “espécie em perigo”. Em Portugal, a captura desta espécie só é permitida no rio Minho, a pescadores devidamente autorizados, ocorrendo em período sazonal, sendo que a detenção e comercialização desta espécie dependem de certificado comunitário, emitido pelo ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.
Os suspeitos, com elevada organização e diversas células espalhadas pela Europa, tinha como modus operandi o recurso a “correios” para o transporte do meixão, para abastecer países como a China, o Vietname, a Tailândia e as Filipinas. Nos mercados internacionais o quilo do meixão é avaliado entre 7 500 euros a 10 mil euros, e em Portugal, é avaliado entre os 500 a 1 000 euros.
Os nove suspeitos foram detidos pela prática dos crimes de contrabando qualificado e danos contra a natureza.
O meixão foi devolvido ao rio por indicação do ICNF, que também colaborou na avaliação pericial.
Esta ação contou ainda com o empenhamento do Núcleo de Proteção Ambiental de Setúbal.