Geograficamente, os distritos do Porto (33 crimes), Lisboa (23) e Setúbal (18) concentram os volumes mais elevados de ocorrências participadas. A análise temporal aos dados operacionais demonstra uma clara preferência dos burlões pelo período diurno, que concentra cerca de 75% dos crimes (74 no período da manhã e 72 durante a tarde), com maior incidência às quintas-feiras (45 casos) e sextas-feiras (33 casos).
Quanto aos locais de abordagem, os suspeitos visam prioritariamente o interior de residências particulares (88 ocorrências) e estabelecimentos de comércio e restauração (56 casos), registando-se ainda abordagens diretas em plena via pública (30 casos acumulados, 9 dos quais já no corrente ano). No que respeita ao perfil das 172 vítimas identificadas, situa-se em idade ativa, recaindo o principal foco dos burlões nas faixas etárias dos 51 aos 64 anos (49 vítimas) e dos 41 aos 50 anos (33 vítimas).
A análise às denúncias revela ainda que os autores constroem a credibilidade das abordagens através da apropriação sistemática de funções de autoridade e fiscalização. Na maioria esmagadora das ocorrências, que no seu conjunto representam cerca de 70% dos casos, os suspeitos fazem-se passar por inspetores da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) ou da Polícia Judiciária (PJ), recorrendo ainda à simulação de elementos da PSP e da Guarda, conforme espelha a distribuição das tipologias identificadas no terreno:
Entidade Simulada / Modus Operandi
2024
2025
2026*
Total
Falsos elementos da ASAE (ameaça de fiscalização / falsa infração)
40
20
9
69
Falsos inspetores da PJ (falsas investigações / acesso a contas / crimes informáticos)
27
67
Falsos elementos da PSP (falsas infrações de trânsito / queixas / investigações)
3
10
22
Falsos militares da GNR (falsos acidentes / infrações de trânsito / fiscalizações)
7
1
17
Outras entidades / alegações (encomendas / créditos / coações diversas)
2
14
18
76
48
193
*dados até 31 de maio.
Para sustentar estas narrativas, o telefone e o telemóvel assumem-se, de forma destacada, como a principal via de contacto utilizada pelos suspeitos (mais de 70% das abordagens) para ocultar o seu rasto. Em muitos destes contactos é utilizada tecnologia de máscara digital (Caller ID Spoofing), fazendo surgir no ecrã da vítima o número de telefone real e público de um posto da GNR, esquadra da PSP ou departamento da PJ, anulando qualquer desconfiança inicial.
Adotando um tom marcadamente formal, ríspido e autoritário, os autores induzem um sentimento de extrema urgência que impede a vítima de desligar e confirmar os factos, assentando a burla em:
Adicionalmente, informamos que a fim de prevenir as situações de burlas, a Guarda aconselha:
A Guarda alerta ainda a população para que, caso se deparem com uma situação de burla, deverão contactar as autoridades o mais rapidamente possível, devendo, até à chegada destas, recolher o número máximo de elementos de informação possíveis, testemunhas e preservar eventuais vestígios se for o caso. A denúncia deste tipo de crime é fundamental para auxiliar à sua monitorização.
A GNR continuará a monitorizar de perto esta tipologia criminal, reforçando as ações de sensibilização junto da população mais vulnerável.