A Unidade de Acção Fiscal (UAF) da Guarda Nacional Republicana (GNR) participou ontem, dia 29 de setembro de 2026, na Operação internacional “TROJA”, coordenada pela Procuradoria Europeia (EPPO), tendo realizado diligências nos distritos do Porto e de Setúbal, no âmbito de uma investigação relacionada com suspeitas da prática dos crimes de fraude fiscal, branqueamento e associação criminosa.
No decorrer da operação em território nacional, os militares da Guarda deram cumprimento a dois mandados de busca domiciliária e executaram uma busca não domiciliária, tendo ainda procedido à inquirição de duas testemunhas.
Da ação resultou a apreensão de:
As diligências realizadas em Portugal integraram uma operação de dimensão internacional dirigida a uma organização criminosa suspeita de ter comercializado mais de um milhão de telemóveis usados como se fossem novos, através de um esquema que terá provocado prejuízos estimados em, pelo menos, 300 milhões de euros aos consumidores e perdas superiores a 30 milhões de euros em IVA em vários Estados-Membros da União Europeia.
De acordo com a investigação, os equipamentos seriam montados a partir de componentes usados em Hong Kong e nos Emirados Árabes Unidos, posteriormente limpos, acondicionados e comercializados como novos através de plataformas de venda online. A investigação aponta ainda para a utilização fraudulenta do regime de tributação da margem, aplicável a bens em segunda mão, permitindo reduzir indevidamente o IVA devido nas vendas.
A Operação “TROJA” envolveu mais de 160 buscas e apreensões em 19 países, mobilizando cerca de 1 770 elementos de forças policiais, autoridades fiscais e aduaneiras. Foram detidos sete suspeitos na Áustria, Alemanha e Espanha, incluindo dois alegados responsáveis pela organização.
Em Portugal, foram empenhados 12 militares da Unidade de Acção Fiscal e dois militares do Comando Territorial do Porto, num total de 14 militares da Guarda.
A investigação, coordenada pela Procuradoria Europeia em Colónia, na Alemanha, teve origem numa denúncia do Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF), envolvendo autoridades policiais, fiscais e aduaneiras de diversos países europeus.
A Guarda Nacional Republicana, através da sua Unidade de Acção Fiscal, continuará a cooperar com as autoridades judiciárias nacionais e europeias na prevenção e investigação da criminalidade económico-financeira, da fraude fiscal e dos fenómenos de criminalidade organizada que afetem os interesses financeiros nacionais e da União Europeia.